terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais uma terça-feira.

Poderia ser mais uma terça-feira qualquer, poderia ser mais um 23 de Agosto qualquer, poderia. Mas essa terça-feira, esse 23 de Agosto tem sido bem diferente. Na verdade, 'diferente' é a palavra que melhor descreve o dia de hoje, mesmo. Aquele tipo de dia em que já acordamos inquietos, quase que pressentindo sobre o que vai acontecer. Mais estranho que o dia é esse nosso pressentimento sobre o mesmo. E isso transforma as coisas simples e rotineiras em tarefas longas e experiências únicas - pasmem. Nada mudou, apenas a percepção. Sei que não sou louco, alguma vez isso já aconteceu com quem quer que esteja lendo isso aqui.

Acordei mais cedo que o comum, tive a rotina alterada um pouco. Logo me lembrei do dia que seria hoje: 23 de Agosto, o dia em que fazemos dois meses. Na hora não pude me apegar à esse pensamento, estava concentrado com outras coisas. Mas, no mesmo momento em que acabei tudo, esse 'climão' me envolveu de novo. Parece um vírus, ou até uma droga, que começa sem te incomodar, até fazendo bem, e vai de preenchendo, tomando conta de você até fisicamente. Quando você se pega não consegue parar de pensar naquilo, e suas ações, suas atitudes são claramente direcionadas e comandadas por tudo aquilo. É louco. E eu to nessa. E é incrível como o ambiente influencia nisso tudo: o dia cinza, o clima frio, a chuva fina, os carros apressados, e até ouvir de longe um carro passando tocando mais um desses sertanejos que eu gosto. Mas é o que eu falei, num tem nada de mais, é a gente que tá alterado.

Logo depois do almoço resolvi o que precisava e, como antes, instantaneamente isso tudo me ocupa. Resolvi procurar pela frase do sertanejo que havia ouvido na rua, minutos antes. Era o que faltava pra eu me jogar nessa teia toda. Agora to aqui, ouvindo "Astral", de Jorge e Mateus, frenéticamente, sem parar um minuto (até agora, são 7 horas sem parar). Inevitavelmente nossa história toda se passou pela minha cabeça, naquele estilo flashback fast motion de filme mesmo. Eu tocando pra ela, pela primeira vez, quando nem nos conhecíamos ainda. Eu, ela, e outros no Claudiney, lanchando tantas vezes. Um rolê maluco em que ela chorou por um cara que não sabia o que queria. Um McDonalds em que eu falava pra ela ser paciente e dar outra chance pra outro cara que também não sabia o que queria. Nós dois compartilhando coisas siniisxtras sem sentir peso, sem incômodo, apenas compreensão. Ela mandando esse outro cara pro espaço, e ficando com um terceiro que, novidade, também não sabia o que queria (mas esse era pior, por que é caipira, acima de tudo). Eu dando conselhos, dando força, ouvindo. Sofrendo sem saber.

(Muitos me perguntam: mas Pedro, você não namorava, antes? Como estava sofrendo por ela? Bom, aqui vou eu numa confissão inédita, mas verdadeira. Sim, eu sofria por ela. Eu sempre tive vontade de ouvir dela um "nossa, você é mesmo um cara especial, um homem espetacular e que é pra vida toda". E, na época, naquela época, ela não disse. Não pra mim. Eu realmente acredito e respeito na amizade verdadeira entre duas pessoas, inclusive de sexos diferentes. É o que éramos, e sempre fomos: grandes amigos. Mas o compartilhar e o exortar fizeram com que, com o tempo, ganhássemos uma intimidade maior. Conhecíamos as frustrações um do outro, sabíamos o que precisávamos e podíamos muito bem chegar um pro outro e simplesmente descarregar tudo, chorar, xingar, reclamar, blaw. E isso fez com que, pelo menos ao meu ver, aprendêssemos a fazer feliz, um ao outro. Na verdade, fez com que aprendêssemos a não nos fazer tristes. Nossos parceiros nos faziam felizes, mas quando pegavam pra nos deixar chateado, ah, conseguiam. E só nós dois podíamos nos curar, nessas horas. O que falar, o que fazer, pra onde ir, o que ouvir, nós já sabíamos e era automático. Ou seja, ao meu ver, estávamos apaixonados e não sabíamos.)

O último flash foi nosso primeiro beijo. Até hoje fico sem chão quando penso nele (papo de mulherzinha da p****, mas é verdade). Uma quinta-feira qualquer, com uma boa companhia e um programa divertido. Assistir DVDs de Exalta e Jorge e Mateus na casa de grandes amigos, com um bom vinho (e sua variação "pau-na-coxa") parecia simples, só mais uma situação que renderia bons momentos, risadas divertidas e a disposição de enfrentar o fantasma da ex em véspera de viagem. Hoje, que ouço ela contar tudo o que armou e arquitetou pra me ter ali, naquela noite, é sim de dar frio na barriga. Até por que, na minha cegueira toda, na minha teimosia e insistência em dizer que nada aconteceria entre nós, jamais, eu fui pra lá sem desconfiar de nada (ninguém sabia de nada daquilo, só ela), sem esperar por nada, a não ser minha fossa em que eu fazia questão de me jogar - exatamente isso: eu saia, olhava pra tudo, e literalmente pulava lá de novo. Tudo muito bem, tudo muito bom até ela me pedir um beijo. Esse filme, esses flashs, que acabei de descrever, passou tudo ali naquela hora. Em questão de segundos. Eu não estava disposto a fazer aquilo, com medo de que as coisas ficassem diferente entre nós. E eu sabia que se fizesse aquilo, nossos olhares mudariam, nossas atitudes e pensamentos mudariam. Mas eu não queria perder aquilo que tornava nossa amizade tão especial, tão única e que fazia tão bem. Além disso, pesava o fato de que ela sempre foi uma 'menina de uma chance só', ou seja, se fosse pra acontecer algo entre nós, eu não gostaria que fosse superficial, ou rápido, só por diversão. De qualquer forma, era uma chance só. Aconteceu, já era. Se acabar, se não durar, acabou, foi. E eu ficaria frustrado e chateado e teria que procurar um bom tempo por alguém que se parecesse um pouco com ela e o bem que ela me faz. Rolou o beijo. Foi meio que na calada, ninguém sabia daquilo ali. Ninguém. Tínhamos que ser silenciosos, mas não eu não queria, não podia, ser devagar. Eu tinha que impressionar, fazer bem feito, afinal ela era autêntica e no menor pormenor (sim, redundante) ela poderia fazer meu nome (pro bem ou pro mal). Além disso, seu último ex era descrito por ela, pra mim, como aquele que tinha uma pegada completa, perfeita. Enfim, foi esse beijo, esse primeiro e apressado beijo, que me fez cair na real: eu estava apaixonado, mas vivia uma falsa história de amor. Estava realmente apaixonado, só achava que amava a pessoa errada! Amava a pessoa certa, mas fazia questão de querer enxergar a pessoa errada...

Resumindo, eu chorei muito hoje (sim, chorei) ao ver que um beijo 'sem muito compromisso', mas muito delicado, que representava tanta coisa, se transformou numa história tão irada... O fato dessa história já ter começado antes e me envolver com tudo, com pressa e de uma forma tão especial me fazem olhar pra frente sem saber o que esperar, mas com a certeza de que do lado dela, qualquer coisa vai ser perfeito. Relendo algumas conversas de MSN, hoje, me dou conta de que fui CEGO, e muitas pessoas e situações me faziam não enxergar o que estava bem na minha frente. Coitado de mim, mal sabe que o que é pra ser de verdade, a gente não breca.

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