segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Álbum de Recordações

Lembrança ruim é pra ser trancada numa caixa, lacrada e jogada no fundo do porão do coração. Mas tem lembrança boa. E lembrança boa é boa de olhar, quando se quer sorrir, quando se quer sentir bem. Essas merecem uma moldura bonitinha na parede desse mesmo coração, naquela sala que só você entra. Hoje eu peguei pra lembrar, tinha muitos rolos de filmes com minhas lembranças preferidas, resolvi revelar as melhores.

Ainda tenho muito o que viver pela frente. Não vou sair por aí experimentando "tudo e o mundo", tenho aquela famosa lista de coisas que todos devem fazer. Mas eu olho pras fotos que eu revelei, e digo: fui muito bem sucedido em tudo o que me propus à fazer. Tirei fotos bonitas, nenhuma ficou borrada, caprichei em todas as poses. Sou feliz.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Música em Camadas

Bom dia, amigos!

Bom, ontem consegui fazer funcionar um HD com uma tonelaaaada das minhas coisas, e fuçando lá achei isso, gostaria de compartilhar com vocês.

Na verdade, isso tem alguns anos já, e é fruto de uma brincadeira entre eu, Jardel e algumas pessoas da PIBInterlagos, em Linhares. Estávamos fazendo umas paródias pro retiro e saiu isso, rs...

No fim das contas não terminamos a letra, mas tava ficando legal (?). Mas deu tempo de fazer esse testezinho com o instrmental da música - ou seja, a gente não tinha NADA pra fazer, e foi gravar isso.

Resumindo, a música é "Touch My Body", da Mariah Carey, o Instrumental original (e bem mais gostoso de ouvir, diga-se de passagem) está aqui >> http://www.youtube.com/watch?v=Z957JKsjFLM

Mas o que me motivou a escrever o e-mail foi uma conversa que tive recentemente com Tio Tony, falando sobre a música e sua composição, me referindo aos ensaios do ministério de Louvor aqui da PIBVV. Eu comentei com ele que muitas vezes nós chegamos loucos pra ensaiar, tocar, preencher CADA ESPAÇO, CADA BRECHA, da música, achando que isso seja realmente necessário - e isso, na maioria das vezes, acaba por entupir as caixas de som e, especialmente, os ouvidos da congregação.

O que eu e Jardel descobrimos ao desmontar esse instrumental, e que é praticado em todo bom estúdio de gravação do Brasil e mundo, foi uma coisa que pode ser aplicado em toda e qualquer música: SUTILEZAS FAZEM A DIFERENÇA.

Pra fazer diferença, você, instrumentista, não precisa encher a mão no seu instrumento, tocando cada vez mais alto para aparecer, por dois motivos: você só vai fazer mais barulho - pode estar tocando perfeitamente bem, mas no meio de um grande barulho, e só mais um barulho; você não vai aparecer em lugar nenhum - as músicas tem espaços pra todos, cada um com sua sutileza. Existe o momento para cada instrumento, se você não souber respeitar, provavelmente será ignorado por quem ouve...

E você, vocal, não precisa cantar como se fosse o fim do mundo: um "ah" ou "uh", no lugar e na hora certa, podem dar outra cara à música. Se você chegar lá na frente pra cantar uníssono com quem ministra, vai ficar feio, por dois motivos: suas vozes são diferentes, e vocês cantam de maneiras diferentes - ou seja, vamos perceber se qualquer de vocês errar, e vai ficar enjoativo ouvir todo mundo cantar todas as músicas; você vai estourar sua garganta, porque, ao cantar em uníssono com o lead vocal (quem ministra), você vai ter que cantar mais alto pra poder se ouvir...

Ouça a música com atenção, observe os espaços, as camadas, e como eles são preenchidos/utilizados de forma sutil, delicada. Quando juntos, formam um som sólido, sem exageros, gostoso de ouvir.

Pra não falarem que eu só dei exemplo com uma música secular, segue um exemplo do nosso Raiz Coral: Minha Pequena Luz >> http://www.youtube.com/watch?v=k2j_ReiL4qI

Um instrmental IRADO, bem feito, com QUATRO instrmentos: Batera (um groovie seco e regular, firme), Baixo (ele MANDA na música, dá a dinâmica principal, por conta da levada da música), Orgão (que faz introdução e um jogo de 'alto e baixo' com o baixo) e Guitarra (fica só no "Wah-Wah", dá mais movimento e preenche, de forma SUTIL, o espaço deixado pelo Orgão).

Não tem metais, não tem percussão, não tem violão, não tem efeitos especiais, frases super elaboradas ou ataques agressivos.

Enfim, espero que isso contribua para o nosso bom desempenho e aperfeiçoamento no nosso serviço ao nosso Deus!

Link para o arquivo em camadas: https://skydrive.live.com/?cid=132bbadb1c6b2edb#!/?cid=132BBADB1C6B2EDB&id=132BBADB1C6B2EDB%21126&sc=documents



Abraços, Deus abençoe!

Pedro Gomes

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vamos pensar um pouquinho?

Texto antiguinho, mas merece um post...

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Bom, na verdade eu não sei bem qual é o objetivo ou o foco desse blog, mas como o blog é meu, vou postar o que eu quiser... - - - - Quinta-feira, 21hrs da noite, e uma aula de sociologia maléfica foram as inspirações para essa postagem. O tema da aula foi censo comum, valores, conceitos, etc, essa babozeira toda... Aquilo que a gente todo o ano aprende na escola e sempre vê em filmes chatos, como Matrix e coisa e tal... Tá bom, isso tudo é, apesar de muito complexo e distante da midia, a base da nossa sociedade, devemos (devemos?) entender os "conceitos que constroem nossos conceitos" (falando muuuuuito grosseiramente), e também as relações entre os viventes desta sociedade e seus poderes, mas somos questionados e "invocados" a questionar de um modo muito ocidental, e por que não, de um modo muito cristão. Não que isto seja ruim (não significa que seja necessariamente bom) - somos estimulados a pensar, repensar, questionar e a, inclusive, sair do famoso senso comum, mas somos manipulados a cair numa hegemonia erudita, ou seja, (não sei se essa expressão é a adequada, mas vou chamar assim) saimos de um senso comum para entrar num "cultismo" vicioso e que, embora provavelmente já questionado, nos foi imposto desde nossa fecundação (!).

Ou seja, temos de sair de um comodismo, que já é citado e combatido desde a filosofia grega, mas em contrapartida somos levados ao cultismo (de idéias, pensamentos, falas, aparências, etc) que predomina desde o séc. XIX, ou até do séc. XVIII, imposto pela "nossa" filosofia ocidental. Aliás, os valores ocidentais dos quais tentamos alcançar a plenitude (coragem, honra, sabedoria, respeito, humildade, e por aí vai...) foram descritos há 2000 anos, e de lá para cá, por maior que seja a quantidade de discussões que houveram em torno desses e de muitos outros mais valores, pouco mudaram. De um modo muito simples, se devemos questionar tudo (!), por que não questionar a definição (se é que existe mesmo) e a origem nos valores sociais atuais?

Um exemplo que foi discutido na aula foi a questão da roupa na sociedade atual - como nos devemos vestir na praia, na rua, na padaria, no trabalho, etc. Seguindo este exemplo, quem disse que precisamos ir de sunga na praia, e não de terno? "Ah, Menino, é por causa da temperatura, poxa!!!" Parece patético, mas alguém vestiu uma sunga pela primeira vez e de lá para cá ninguém questionou. Aprofundando um pouco mais, vamos passar da sunga para o maiô. Não se usava maiô nas praias. Usaram pela primeira vez, e como um vírus, não se questionou o uso - apenas usou-se - e isso por que na época era "meio proibido", "socialmente" falando. Ou seja, será que estamos questionando as coisas certas, e será que estamos questionando voltados para as respostas certas? Buscamos que tipo de respostas, e quais são as certas?

Finalizando, a historinha dos homens que estão na caverna e só vêem sombras (o acento ainda está certo xD) é muito bonitinha, e faz sentido, mas será que não estamos caindo no comdismo de pensar que esta é a maneira certa de se pensar? Isto é, a história é repetida a 2000 anos, será que não necessitamos pensar mais ainda e verificar a fidelidade dessa filosofia que nos cerca? (E quando falo filosofia, me refiro tanto à ciência quanto à "matéria" em si, a parte que não estudamos na escola, nem na facul, incluindo os nossos conceitos e valores das virtudes e pecados - e por que não os da sociedade - tanto a do nosso bairro como o nosso planeta?). Ao começar a escrevrer pensei que encontraria alguma resposta, mas surgiram inúmeras outras perguntas, das quais não as postei nem um quinto.

Vamos pensar um pouquinho?

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pra pensar... [2]

"‎...Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém" (John Lennon)

(Flávio Maldonado, via Facebook)

Pra pensar... [1]

"Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa. Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítica de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo .. Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumada, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até as quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 &70, e se eu, ao mesmo tempo, desejo de chorar por um amor perdido ... Eu vou.
Vou andar na praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros no jet set.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecida. Mas há mais, alguns coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não pode quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoada por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velha. Ele me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca se separe porque é direto do coração!"

(Debora Batista Freitas, via Facebook)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Preço

"É pedir muito um sorriso seu?
É pedir muito o teu perdão?
É pedir muito um abraço teu?
... É pedir muito uma única canção?

É duro saber que tenho que pedir
É sujo ter que implorar
É horrível ter que impedir
É doloroso ter que chorar

Será que para te olhar
Será que para com você falar
Será que para voltar a te admirar
Existe um preço?
Existe um valor?

Fale-me, o quanto tu pedes?
Fale-me, o quanto tu queres?
Diga-me, se é isso que tu exiges?
Será que consegues
Ficar longe de mim?
Será que te faço tão mal assim?

Foi o que te falei?
Foi o que contei?
O Porquê mudou tanto?
Lhe pago o preço que for preciso
Mas por favor, fique aqui comigo."

(Camila Bazoni Juste)

Conversa de Bar...


-Eu penso nisso todo dia: como posso gostar tanto assim de alguém? Tá, falando assim parece mais um diário de uma adolescentezinha qualquer, falando sobre aquele carinha bonitinho da outra sala. Mas o lance é que eu paro pra pensar em tanta coisa, em tanta história, e sempre eu sempre me surpreendo - olhava para o copo e forçava mais um gole, daquele quase-fim de Martini.

-Hmmm, sei... - num tom meio desleixado, o barman respondeu ainda sem muito interesse. - É, mas quando a gente tem muita coisa em comum, quando tem uma vida parecida, aí fica melhor pra juntar... - Tentou entrar no papo, era o único cliente no balcão. Com olhar distante e perdido, o apaixonado solta bem devagar, falando meio picotado:

-Definitivamente não somos iguais. E, eu sim, posso falar somos diferentes em tanta coisa. Cada um com uma doidera, com uma bobagem, mas essas coisas que chamamaram a atenção, que fizeram a gente se gostar, o tipo de coisa que vai virar piada depois... - E devolve a taça pra mais um drink. - Eu, que sempre fui muito certo de muita coisa, sempre convencido de fazer muita coisa do "meu jeito, o jeito certo de fazer", tomando tapa de luva dela. E tendo a chance de mostrar coisas que ela não enxergava. A famosa "relação de mão-dupla", sabe?

O barman pensa que vai virar um papo de divã, mais um cara chato que vem alugar sua santa paciência com conversa de bêbado. Pegou fôlego pra falar, mas foi interrompido:

-Eu já não consigo pensar em outra. Rapaz, de boa: você, com alguma namorada sua, já pensou em algum "e se..." com outra pessoa, certo? Tipo, estar com uma pessoa mas se imaginar com outra, só por curiosidade mesmo, pra mudar de vida por 3 segundos. O engraçado é que, de coração (não vou mentir pra você...), depois que eu fiquei com ela, nunca mais pensei em ninguém. Quer dizer, as outras ainda estão lá: lindinhas, oferecidas, gentis, com aquele sorriso esperto, engracadinhas e sonsas como sempre. Eu não assinei contrato nenhum, dizendo que iria 'arrancar meus olhos' quando ela dissesse 'sim'. Mas desde que ouvi o sim dela, não consigo me imaginar com outra. Não tenho vontade, nunca tive. Com outras namoradas eu já me imaginei sim com outras, e não fiquei só na imaginação... Já me chateei com ela sim, lógico, só que o que eu penso quando isso acontece é "só quero a mulher da minha vida, não dá pra querer outra pessoa... Não quero outra pessoa, e não quero querer outra pessoa". Tá entendendo? - Aperta os olhos e manda mais Martini pra dentro. À essa altura, o barman não parou de trabalhar, mas presta atenção, não sabendo se espera algo que o faça pensar ou uma fala engraçada que renda um apelido pro camarada. E é interrompido denovo:

-Enfim, não sou muito à favor da dependência que muito homem tem de suas mulheres. Esses dias eu tava nessa, e me dei mal. Mas eu gosto mesmo dela. Eu do meu jeito, ela do jeito dela, sei lá. Não me importo mais com isso. Eu sempre pensei assim: "não preciso me afastar pelas diferençar, posso me aproximar pelas coisas que temos em comum". É tão tosquinho, mas tão verdade... Vou parar de te alugar aqui, cara... Chega de Martini, to filosofando demais (risos)! fica na paz, boa noite, e bom trabalho! - Entrega a taça vazia, paga a conta logo ao lado, e deixa o barman, imóvel:

-Ah, se toda a conversa de buteco fosse assim...