Esse tema tem me incomodado muito por esses dias, não posso me conter à não escrever. Bom, sem enrolações, vamos ao que interessa.
A verdade é que tem muita gente numa tara por uma vida 'Gospel' que eu vou te contar. São hábitos, músicas, programas, falas, tudo muito 'Gospel'. Lindo. Gente, pelo amor de Deus, né?! Que tara é essa por coisas seculares? É pra ser coerente, então sejamos.
Pra início de conversa, gostaria de dizer excessos e extremos fazem mal. Ser extremista ou exagerado nos tira da racionalidade e, por mais que nos emocionemos ao lembrar de tudo o que Deus fez e faz por nós, Ele quer que cultuemos a ele em racionalidade (Rm 12.1) - existe um interessante e rápido estudo sobre isso aqui.
Veja, não quero ser extremista ter a audácia de repetir o que Gondin disse aqui, que foi motivo de grandes e esquentadas discussões durante um tempo - com todo o respeito, ele é um grande pensador e teólogo, mas essa foi demais.
Mas que tara é essa por uma vida tão 'Gospel' assim? Veja, não estou tentando nem defendendo a secularização da igreja, nem de hábitos cristãos. Fomos salvos por Deus, e devemos ter atitudes tais que nos mostrem como verdadeiros filhos comprados por Ele. Mas pessoal, pera aí, ainda estamos no planeta Terra! Observem o diálogo sobre a elaboração de uma festa jovem temática de uma igreja:
Alguém: "Não concordo com o tema ser "Super Heróis". Não acho nem um pouco certo."
Pedro: "...Mas por que? Só queremos ter um momento legal, engraçado, ver as fantasias improvisadas..."
Alguém: "Não concordo por que o tema é justamente "Super Heróis". Não temos super heróis, não acreditamos nisso. Nosso único Super Herói é Jesus Cristo... [Pausa] Imagina, alguém vai de Super Homem, o salvador da humanidade (num tom sarcástico). Super Homem não é salvador de ninguém."
Pedro: "Tá, tudo bem. Mas você deixa de assistir as séries e filmes do Super Homem, na TV, por causa disso?
Alguém [sem graça]: "Não, não deixei de ver..."
Quer dizer, qual a diferença? Digo, se a pessoa condena mesmo esse lance de super heróis, por que então não condena de uma vez? Ou tem alguma separação, um limite do que é 'aceitável', que eu não entendi?
E por esse caminho vamos indo além. Gente que não escuta músicas seculares. Olha só, eu sei que nos tempos em que qualquer pessoa pode gravar um lixo e fazer sucesso (vide os funks e axés da vida, nem preciso citar), fica difícil acreditar na seriedade da música, não só, mas especialmente, a música brasileira. Mas, novamente, não sejamos extremistas. Os cantores provavelmente não sejam lá muito normais, mas letras que vem pelo inspirar, e o inspirar do pensar, o pensar do viver, e o viver vem de Deus. Deus que provê a habilidade de cantar, e escrever, e inspirar tantas pessoas. Essas pessoas escrevem letras que fazem parte da nossa vida, sem sequer imaginar que existimos... Como pode isso não ser de Deus? Letras que falam sobre o amor, sobre solidão, sobre o sofrer, sobre decepção, sobre o vazio... Alguns artistas clamam por algo que os preencha, em suas canções... E tudo o que temos feito é ser indiferente.
Veja, Deus nos deu a condição de humanos, ou seja, existem sentimentos e sensações que independem de nossa espiritualidade, nossa natureza é humana.
Bom, já falei sobre isso ali em cima, mas tem mais. Quem sou eu pra julgar as produções de TV e seus idealizadores, seu conteúdo. Mas, dadas as circunstâncias, com tantos escândalos envolvendo líderes e pregadores religiosos (sim, é esse o termo), como não questionar o valor ou o teor disso tudo? Quero dizer, à luz das Escrituras, o que realmente pode ser agregado à nossa vida através desses shows de liturgia transmitidos pela TV?
Ixe, sem contar com aqueles discursos: "Não bebo Coca-Cola. 'Coca-Cola' significa 'Alô Diabo' ao contrário". Meu irmão, sua fé tá boa, hein?! Tu tá sendo atingido por um copo de refrigerante, é melhor num vacilar não!
Se fossemos parar e analisar tudo o que é secular ou 'gospel', no nosso dia a dia, estaríamos morando em desertos, com roupas de saco, comendo gafanhotos. Nossa casa foi construida por mãos humanas, quem sabe a opção religiosa de quem a projetou/construiu? Se o arquiteto que projetou sua casa é espírita, ou ainda ateu, você vai deixar de morar? Ou vai deixar de consagrar sua casa à Deus? Se quem aprovou esta obra nos orgãos públicos responsáveis proclamar uma fé diferente da sua, você vai se recusar à seguir os processos para tal? Nossa comida é secular. Nosso carro, nossos livros, nossas roupas e eletrônicos. Nossa escola, nosso trabalho, tudo secular. Agora, pare pra pensar: sua casa, sua comida, suas roupas, seus pertencem, não te abençoam? Não abençoam vidas? Não edificam e ajudam no cuidar do templo do Espírito Santo, que é o seu corpo? Não são consagradas para Deus e a expansão de Seu Reino, cada um em sua especificidade? Como você pode dizer então que uma música ou um filme secular não podem ser usados por Deus?
Seus pais se amam, e você, provavelmente deve estar afim/gostar de alguém, certo? É o amor, em seus vários estágios, seja através de falas curtas, ou de anos de história, presenciamos o amor na nossa vida. E esse amor, vem de onde? Certamente, é de Deus, e os poetas declaram e cantam tantas coisas belas sobre uma escolha, uma atitude que vem de Deus. Temos de aprender com eles.
E se, ainda assim, tivéssemos nossa vida toda 'gospel', e desfrutássemos apenas de ambientes e situações de teor religioso, seríamos vistos como os "ETs", os loucos. Na verdade, esse é o título que nós já temos nossas vidas 'normais', imagina se fossemos 'gospel' em tudo...!
Veja bem, não estou aqui condenando nem defendendo nenhuma atitude, cristã ou secular, de qualquer espécie. O que eu quero é que pensemos e repensemos quais atitudes realmente devem ser questionadas: qual música ouvir ou não ouvir deve ser minha prioridade no pensar? Ajudar pessoas, fazer com que elas se aproximem de mim para que eu possa as conquistar, ser amigo dela e a amar, como Jesus quis, é menos importante que a minha playlist 'gospel'? Ter somente amigos na igreja, um ambiente supostamente saudável, é assim que devemos ser? Ou será que devemos seguir a Jesus, e nos aproximar e alcançar a 'mulher samaritana', o 'leproso', o 'cego', a 'mulher com fluxo de sangue'...? Tenho certeza que essa gente não está dentro da igreja, e precisa mais da gente do que dos nossos 'irmãos' que sentam no banco ao lado.
Que Deus nos abençoe!
*Atualização: recentemente houve uma discussão próxima sobre o verdadeiro significado do termo "secular", e chegou-se à conclusão de que esse termo é e sempre foi usado erroneamente. Mas, ainda assim, é esse o termo conhecido e entendido por quem não se dá ao prazer de estudar à fundo sobre isso. Portanto, para que todos entendamos, o termo vai continuar sendo esse. Valeu!
festa de super-herói não pode, mas colocar o nome do nosso Salvador numa prática pagã, pode! vai entender...
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